Ilca Márcia Albino da Silva Print E-mail

ilcasmallforweb21 anos de idade
Assessora de Projetos, Grupo Curumim
Brasil

"Não tem informação sobre a gravidez, não tem informação sobre os métodos contraceptivos, não tem acesso `a contracepção de emergência e tudo isso leva a gravidez precoces onde elas não são responsáveis, a família muitas vezes não quer, elas são forçadas a ter aquela criança, muitas são forçadas a não ter a criança e isso é um problema."

Diplomada no ensino de segundo grau, Ilca é membro da organização feminista Grupo Curumim Gestação e Parto desde os 17 anos de idade. Nessa organização ela é membro do Centro de Juventude do Programa Cunhatã - Grupo Curumim. É ativista nos movimentos feministas, de adolescentes e de afro-descendentes. Representa o Grupo Curumim no Grupo de Articulação da Juventude Negra.  mais>>

>>Clique aqui para ler toda a entrevista

>>Disponível também em espanhol, inglês, e francês

Coalizão Internacional pela Saúde das Mulheres (IWHC): Quais são os maiores desafios enfrentados por mulheres e jovens no Brasil hoje?

Ilca Márcia Albino da Silva: Acho que  um dos maiores problemas na minha comunidade é a  gravidez,  que é muito comum nas adolescentes e jovens, tanto nas escolas,quanto na própria comunidade,com as que não estudam mais. mais>>

IWHC: Porque isso é um problema?

IMAS: Pela falta de acesso a informação. Não tem informação sobre a gravidez, não tem informação sobre os métodos contraceptivos, não tem acesso `a contracepção de emergência e tudo isso leva a gravidez precoces onde elas não são responsáveis, a família muitas vezes não quer, elas são forçadas a ter aquela criança, muitas são forçadas a não ter a criança e isso é um problema.

IWHC: Qual sua primeria recordacão, quando menina, de uma situacão que você foi pessoalmente afectada/prejudicada peal questão de inequalidade de género ou por falta de direitos para meninas e mulheres?

IMAS: Não tenho uma recordação que tenha me prejudicado quando criança, pois na minha casa só tinham mulheres.

IWHC: Como sua experiencia crescendo em sua comunidade se diferencia das outras meninas/meninos, quando você era criança e como adolescente/jovem?  Houve alguma diferença nas atividades/interesses e percepção do futuro entre meninas e meninos?

IMAS: Me diferencio das outras meninas e meninos pelo incentivo que dou para eles, para pensarem em suas vivencias, eles passam a ter interesse em saber mais, a conter informações, a procurar conhecer espaços que proporcionem uma nova forma de vida.

IWHC: Como você começou a trabalhar com o Curumim?

IMAS: Através do Projeto Mulheres Jovens e Adolescentes contribuindo para a igualdade de gênero e combate a violência apoiado pelo PACIFIC  em 2006, onde fomos para 6 municípios da Zona da Mata de  Pernambuco. Fiz à acessória deste projeto junto com Emanuella, outra jovem que fez parte do grupo, mas não está mais no Curumim.

IWHC: Porque o trabalho do Curumim, do IWHC, da coalition, é tão importante? Porque é importante para você trabalhar com o Curumim?

IMAS: O IWHC é importante porque fortalece a instituição, para a instituição fortalecer a juventude. E essa juventude fortalece outros jovens que não tiveram acesso. Então a importância é impar para as duas. mais>>

IWHC: Do que mais você se orgulha?

IMAS: Poder levar informações para outras pessoas e com isso fortalece-las na tentativa que as pessoas refllitam sobre seus posicionamentos e sobre suas condições de vida para que possa haver uma mudança positiva na vida de cada pessoa.

IWHC: Como você imagina seu futuro?

IMAS: Com formação universitária e especialização na área em que eu trabalho que é saude, podendo me manter financeiramente r fazendo o que eu gosto.

IWHC: O que vocês vêm como solução de futuro na questão de saúde sexual e reprodutiva para as jovens? Se vocês forem exitosas, como é que o mundo vai ser?

IMAS: Um monte de mulher cheia de autonomia, fortalecida, sem passar por situações de violência, de violação de direitos, com o governo junto conosco fazendo ações educativas nas comunidades e mesmo que o governo não estivesse junto, que possibilitasse mais recursos para nós pudéssemos está  chegando perto de mais jovens.
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