Um novo Presidente, uma nova agenda para meninas e mulheres Print

Declaração de Adrienne Germain, Presidente da International Women's Health Coalition

 
De todos os nossos parceiros de todos os países do mundo chegam manifestações de entusiasmo com a eleição de Barack Obama. Para citar apenas um: "os direitos humanos estão de volta e todas as medidas para reduzir as liberdades agora já não são tão populares."

Para muitos estadunidenses e para o mundo, as questões mais prementes a serem enfrentadas pelo Presidente eleito Obama serão a crise financeira e as guerras do Iraque e Afeganistão, mas precisamos colocá-las em perspectiva. O trabalho a ser realizado antes de assumir o poder, seu discurso de tomada de posse e os primeiros meses de seu novo governo precisarão colocar a liderança dos Estados Unidos na frente em que estão a proteção e promoção dos direitos humanos e igualdade para todos. Isso ajudará muito a restauração da confiança nesta época difícil.

Apesar e, na realidade, em conseqüência das crises, esperamos que ele dê ênfase ao compromisso do Governo dos EUA - e de seus habitantes - de pôr fim à pobreza e à injustiça em âmbito mundial. Em nosso mundo globalizado, é essencial que os países de baixa e média renda suportem com sucesso essa situação difícil para que os países ricos também o façam. No âmago de nossa estratégia deve estar a ajuda externa em saúde e educação.

Com base em meus 40 anos de trabalho internacional, estou ciente de que não haverá paz nem segurança globais até garantirmos o direito de toda mulher a uma vida justa e saudável. Somente mulheres saudáveis, cujos direitos humanos sejam protegidos, podem ser trabalhadoras plenamente produtivas e participantes efetivas nos processos políticos do respectivo país. Somente quando as mulheres são saudáveis e empoderadas podem criar e educar filhos saudáveis. Estes são os alicerces de sociedades estáveis e economias em crescimento e imperativos por si sós.

O Presidente eleito Obama tem a oportunidade singular e a profunda responsabilidade de reverter as políticas internacionais nocivas em matéria de saúde impostas pelo Governo dos Estados Unidos nos últimos oito anos e de restabelecer a nossa credibilidade e liderança globais no campo dos direitos humanos para todos, mediante o seguinte:

  • Promover os direitos humanos da mulher no âmbito das Nações Unidas e proteger esses direitos em colaboração com outros governos.
  • Atribuir prioridade ao investimento dos EUA em serviços de saúde reprodutiva, incluindo cuidados pré-natais e parto, acesso a anticoncepcionais e aborto seguro, bem como diagnóstico e tratamento de infecções sexualmente transmissíveis e HIV/AIDS.
  • Assegurar o acesso à educação abrangente em sexualidade que ensina as jovens a estabelecerem a igualdade nas relações, respeito ao direito de consentir tanto ao sexo como ao casamento e fim da violência e coerção sexual.

O próximo governo tem a oportunidade e o poder de mudar o futuro de milhões de meninas e mulheres, rapazes e  homens. Será necessário ter coragem e visão para agir com intrepidez. A recompensa - em vidas salvas e restauração de nossa reputação como líderes globais para a justiça social - será incalculável.

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