| Angela Teixeira de Freitas |
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Instituto Patrícia Galvão — Comunicação e Mídia, Brasil
Sou da geração de feministas brasileiras que desde o início da década de 1980 trabalhou duro para que a transição da ditadura para a reconstrução democrática no Brasil incluísse mudanças na Lei e nas políticas públicas, de forma a eliminar a discriminação das mulheres. Nossa agenda se construiu no marco da justiça social e respeito aos direitos humanos e dentro dela, a saúde integral das mulheres e o combate à violência doméstica e sexual, estavam entre as prioridades.
O acordo assinado em Beijing—que incorporou o conceito de direitos reprodutivos defendidos no Cairo—coroou um esforço de anos. Para o feminismo brasileiro, o engajamento neste processo foi um mote importante que permitiu estender sua área de influência por todo o país, com a participação crescente de seguimentos diversos (mulheres rurais e urbanas de diferentes raças e etnias). Mas nunca tivemos ilusão de que com ele tudo estava feito. Pelo contrário, as barreiras são muitas e a negociação precisa ser cotidiana para que os sucessivos governos cumpram com o que foi assinado em Beijing, e reafirmado em Beijing + 5. A Plataforma tem funcionado como o piso no qual nos referenciamos para que nenhum passo atrás se ouse dar. |