Sonia Correa Print

Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS, DAWN, Brasil

sonia_correa_lgHá alguns meses, fiz uma pesquisa na Internet sobre a palavra DAWN e encontrei uma resposta em Beijing. Nela eu apareço dizendo: Graças a Deus, terminou!. Conforme me lembro, acho que eu disse Graças às deusas, como geralmente uso essa expressão. Apesar dessa pequena inexatidão, a resposta reflete o que Beijing significou para mim: uma enorme quantidade de energia despendida e um volume incrível de trabalho para mim. Estou mais do que agradecida à minha querida amiga Magaly Pineda por me ter persuadido, no último dia da Conferência, a receber uma massagem chinesa antes de voltar para ver James Wolfensohn ser abertamente interrogado no Grupo sobre Vínculos.

Já estávamos exaustas, mas repletas de alegria. As realizações tinham sido impressionantes. Tão impressionantes que, olhando para trás, ouso dizer que a maioria e nós voltou para casa em uma espécie de clima de sonho platônico, no qual a perfeição da forma e da redação foi erroneamente considerada como realidade. Nos anos seguintes, gradativa e dolorosamente, nós compreenderíamos a grande sabedoria de Hannah Arendt ao afirmar que as pessoas envolvidas em ação política devem sempre estar preparadas para o imprevisto, para o futuro que nunca é previsível mas surge com freqüência como uma sombra. No decorrer dos últimos 10 anos, compreendi que Beijing não era o fim, como tínhamos alegremente imaginado em 1995. Mas também não era o início. Era uma importante encruzilhada em uma estrada longa e tortuosa na busca da igualdade de gênero, justiça erótica e felicidade humana, cujo ponto de partida não podemos assinalar com exatidão no tempo.
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