Católicas pelo Direito de Decidir, Brasil
 Beijing foi para mim uma profunda emoção. Vivi essa reunião como um momento histórico, único. Milhares de mulhgres do mundo todo, reunidas em um distante país da Ásia, ao menos em relação ao Brasil, de onde venho. A diversidade de cores, de rostos, de línguas, de maneiras de vestir-se e comportar-se—abraçamo-nos? Beijamo-nos? Juntamos as mãos como em prece e curvamos a cabeça? Inúmeras formas de nos cumprimentar. Éramos diferentes. Também no pensar e no expressar nossas idéias e sonhos feministas.
Mas éramos, ao mesmo tempo, uma só e única mulher. Essa mulher universal, abstrata, inexistente estava ali. Palpável, reconhecível, nomeável, quando, em nome de todas as mulheres do mundo—negras, brancas, amarelas; pobres, famintas, ricas; letradas, analfabetas; crentes, atéias, agnósticas—em nome de todas gritávamos ao mundo: "Aqui estamos. E nossas vidas merecem respeito. Queremos dignidade, igualdade e justiça para todas as mulheres do mundo!" Beijing foi isso. A experiência irrepetível da possibilidade da solidariedade universal.
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