Dadine Dsandjon Print

dadinesmallforweb24 anos
Reseau National des Associations des Tantines (RENATA)
Camarões

"Em especial, os jovens precisam ser informados sobre seus direitos sexuais.  Em Camarões, os direitos das mulheres jovens são violados o tempo inteiro.  Muitas mulheres não sabem que têm o direito de decidir com quem e quando terão relações sexuais.  As meninas geralmente se sentem obrigadas a ter relações com qualquer menino ou homem que as desejem."

Dadine é a Secretária Executiva Assistente da RENATA (Reseau National des Associations des Tantines ou "National Network of Aunties Association"), uma rede de mais de 60 associações "Aunties" em Camarões que oferece educação sexual abrangente a adolescentes e às mães adolescentes. Dadine é treinada formalmente na prevenção da gravidez precoce e indesejada, infecções sexualmente transmitidas (DSTs) incluindo HIV/AIDS, e práticas tradicionais perigosas tais como aborto de risco. Ela entrou para a Tantines como uma jovem mãe, e desde então tem orientado vários adolescentes e mães adolescentes. Dadine busca atualmente formar-se em psicologia em Yaoundé, Camarões.  

>>Clique aqui para ler toda a entrevista

>>Disponível também em espanhol, inglês, e francês

IWHC: Conte-nos a história de sua vida.

Dadine Dsandjon: Meu pai tem três esposas e 26 filhos.  Sou a décima nona filha do meu pai, e a quinta filha da minha mãe.  Eu cresci com toda minha família em Douala, onde cursei a escola primária.  Quando eu tinha 11 anos, meu pai perdeu o emprego e ficou muito caro morar na cidade. Mudamos para uma aldeia e matriculei-me na escola secundária. mais>>

IWHC: Qual sua primeira lembrança como jovem garota ou jovem mulher de uma situação da qual você estava pessoalmente ciente ou na qual foi afetada pelas desigualdades de gênero ou ausência de direitos para meninas e mulheres?

DD: Tradicionalmente, as mulheres ocupam um lugar inferior ao dos homens.  Se um homem estiver sentado, a mulher deverá sentar em uma cadeira mais baixa do que a dele.  Ela não pode nem olhar para ele nem falar com ele, exceto para dizer "sim" ao pai, a um dos irmãos mais velhos ou ao irmão mais velho" e assim por diante.  mais>>

IWHC: Como a experiência de crescer em Camarões pode diferir para meninos e meninas, tanto na infância quanto na adolescência?  As atividades, os interesses e a percepção do futuro são diferentes para meninos e meninas?

DD: Os meninos não tinham nenhuma tarefa doméstica, mas as meninas sempre tinham de estar em casa. Não podíamos sair ou fazer as coisa que queríamos. Os meninos saíam para brincar enquanto nós ficávamos dentro de casa ajudando nossa mãe com as tarefas.  mais>>

IWHC: Em sua fase de crescimento, você algum dia aprendeu ou conversou sobre saúde e direitos sexuais e reprodutivos?

DD: Nunca falamos sobre essas coisas, nem mesmo com nossas irmãs.  Tudo que nossas mães nos diziam era que após ficar menstruada, podíamos engravidar.  Não nos forneciam nenhum detalhe ou informação sobre como nos proteger de uma gravidez indesejada.  Eu não fazia idéia do que nossos pais pensavam sobre saúde e direitos sexuais e reprodutivos porque eles nunca falavam sobre isso.

IWHC: O que a inspirou a trabalhar com Tantines?

DD: Quando se dá á luz na adolescência, é comum não ser respeitada pelas outras pessoas da comunidade.  Eu me sentia reduzida a nada-diminuída-até que entrei para as Tantines. mais>>

IWHC: De que forma você acha que as Tantines mudaram a vida dos jovens, quer em casos específicos ou em geral?

DD: Pessoalmente, as Tantines tem tido um efeito incrivelmente positivo na minha vida.  Hoje, eu sou uma funcionária executiva e tenho um salário. É como se as Tantines tivessem me tirado do escuro e mostrado a luz.  Eu estive trabalhando nos campos, e agora estou ajudando a gerenciar uma organização. mais>>

IWHC: Quais são, em sua opinião, os grandes desafios enfrentados pelos jovens em Camarões atualmente? Quais são as maiores oportunidades?

DD: Um grande desafio que os jovens dos Camarões enfrentam é o acesso à educação. As taxas de matrícula da escola secundária são geralmente muito altas. Isso impede que muitos jovens se matriculem, especialmente nas áreas rurais. mais>>

IWHC: Cite algumas das mais importantes questões, em sua opinião, que programadores e formuladores de políticas devem tratar para promover e proteger a saúde e os direitos dos jovens - especialmente das meninas.

DD: A mortalidade maternal e infantil, como resultado da gravidez precoce em especial, deve ser tratada.  Quando uma adolescente engravida, geralmente seu corpo não está suficientemente desenvolvido para carregar uma criança e muito menos para dar à luz.  mais>>

IWHC: Você tem exemplos positivos de sua vida profissional ou experiência pessoal nos quais o diálogo e a programação alcançaram a participação ou a liderança significativa dos jovens?  O que houve de efetivo com relação a esses exemplos em especial?

DD: Os treinamentos das Tantines ensinam as jovens a abordar outros jovens e escutá-los ativamente, bem como desenvolver soluções para seus problemas. mais>>

IWHC: Do que mais você tem orgulho? 

DD: Meu trabalho com as Tantines me faz sentir importante e útil na sociedade.  Fico feliz quando caminho pela rua e escuto as pessoas chamando meu nome.  Tenho orgulho quando as meninas vêm me agradecer por algum conselho que eu tenha dado a elas.

IWHC: Quais são seus sonhos para o futuro? Pode descrever sua visão de um mundo ideal, ou melhor?

DD: Espero retornar à escola e me graduar em psicologia na universidade de Yaoundé. Quero continuar no mesmo campo de trabalho (ajudando outras pessoas por meio de aconselhamento), portanto, sinto que a psicologia é a melhor área de estudo para mim. mais>>

IWHC: Como você imagina seu futuro?

DD: Eu gostaria de ser a líder de uma organização não-governamental (ONG), onde eu trabalharia como psicóloga.  A ONG trabalharia para proteger e defender os direitos das crianças e promover seu tratamento e cuidados.   Amo crianças e gostaria de defender seus interesses.

IWHC: Como fez seu primeiro contato com a IWHC?

DD: Ouvi falar pela primeira vez na IWHC por meio da organização Mulheres, Saúde e Desenvolvimento na África Subsaariana (Femmes, Santé et Développement en Afrique Sub-Saharienne - FESADE).  mais>>
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