"A maior força dos jovens é o fato de que, com o devido incentivo, são capazes de fazer progresso social e político significativo."
Neha Sood é ativista feminina residente em Nova Delhi, Índia, onde trabalha para a CREA desde abril de 2004. Neha trabalha em diferentes programas da CREA que atuam como catalítico de aprendizado, tais como programas de intercâmbio, workshops de treinamento, reuniões temáticas e criação de material sobre educação pública, enfocando questões de sexualidade, direitos reprodutivos e sexuais, violência contra a mulher e direitos da mulher. É também membro da Youth Coalition for Sexual and Reproductive Rights (Coalizão da Juventude para Direitos Sexuais e Reprodutivos - YCSRR), desde maio de 2006 e trabalha na promoção de direitos a aborto seguro.
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IWHC: Qual é a sua primeira lembrança de uma situação em que se tornou consciente da desigualdade por motivo de gênero ou foi por ela afetada?
Neha Sood: Minha primeira lembrança é a de um vizinho repreendendo e espancando sua filha ao descobrir que mantinha um relacionamento com um homem. Eu me lembro de me perguntar por que o que ela tinha feito era considerado errado e por que estava sendo castigada.
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IWHC: Como a experiência de crescer em Nova Delhi era diferente para moças e rapazes? As atividades ou percepções do futuro eram diferentes para moças e rapazes?
NS: Há muitas formas pelas quais as desigualdades de gênero são experimentadas pelas moças e rapazes. As moças geralmente enfrentam assédio sexual em lugares públicos, além da casa e do bairro (embora os rapazes também enfrentem abuso no próprio ambiente imediato).
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IWHC: Ao crescer, você aprendeu ou falou sobre sexo e saúde e direitos reprodutivos?
NS: Meus pais nos fizeram sentar - a mim e a meu irmão - para falar sobre a "cegonha" - anatomia, sexo e reprodução - quando éramos pequenos e também nos deram livros para ler sobre adolescência, sexo, relacionamentos românticos e anticoncepção.
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IWHC: Como você começou a participar da luta pelos direitos das mulheres e dos jovens?
NS: Até há alguns anos eu não era politicamente ativa nem estava conscientizada e aos poucos comecei a ficar preocupada com a minha falta de conhecimento e perspectiva. Uma vez recebido o meu diploma em Comércio aos 20 anos de idade, compreendi que eu queria participar da melhoria da qualidade de vida das pessoas.
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IWHC: O que levou você a trabalhar especificamente com a CREA?
NS: Ao me reunir com os membros da CREA, fiquei muito entusiasmada com as crenças e convicções principais surgidas de nossas conversas. Discutimos como diversas estruturas de poder existem na sociedade, estão vinculadas entre si e precisam ser desafiadas.
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IWHC: Na sua opinião, como a CREA mudou a vida dos jovens?
NS: Para a CREA os direitos humanos aplicam-se aos jovens da mesma forma que a qualquer outra pessoa e os jovens têm em si próprios o poder de exigir e realizar seus direitos humanos. Nossos workshops incentivam os jovens a desafiarem todo tipo de discriminação e lutar por uma sociedade justa para todos. Promovem um sentido de direito, um espírito inquisitivo e um desejo de procurar e acessar informação e recursos que melhorem a qualidade de vida.
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IWHC: O que você considera como os principais desafios que os jovens enfrentam hoje na Índia? E quais são as maiores oportunidades?
NS: O desafio mais significativo que enfrentam os jovens na Índia é o fato de geralmente não serem levados a sério ou considerados capazes de tomar decisões sobre a própria vida. A marginalização histórica com base no gênero, casta, religião, classe, sexualidade e incapacidade impede muitos jovens de realizarem o próprio potencial.
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IWHC: De que você mais se orgulha?
NS: Eu me orgulho de meus pais e de meu parceiro, que apóiam meu ativismo e compromisso e constantemente ampliam os próprios limites e compreensão.
IWHC: Como você imagina seu futuro?
NS: Eu imagino continuar a incentivar e construir compreensão a respeito de questões de gênero, sexualidade e intersecções com outras questões de defesa de direitos, com diferentes grupos de pessoas e de formas diversas. Eu imagino também continuar a aprofundar meus conhecimentos sobre questões e outras pessoas durante toda a minha vida.
IWHC: Você pode descrever sua visão de um mundo ideal ou melhor?
NS: Em conformidade com a minha visão, eu trabalho por um futuro em que todos se respeitem de forma mútua e igual e atribuam a si mesmos o devido valor; em que não haja preconceitos ou tendenciosidades com base na idade, religião, gênero, sexualidade, casta, raça ou classe; em que todas as instituições e organizações tenham os direitos humanos no centro de seus princípios de atuação.
IWHC: Como você tomou conhecimento pela primeira vez da International Women's Health Coalition (Coalizão Internacional para a Saúde da Mulher - IWHC)
NS: Eu tomei conhecimento da IWHC porque ela financia a CREA no trabalho de fazer avançar os direitos humanos da mulher. A IWHC também trabalhou com a Youth Coalition for Sexual and Reproductive Rights (Coalizão da Juventude para os Direitos Sexuais e Reprodutivos - YC), outra organização de que fiz parte.
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