Sônia Corrêa, Brasil Print
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"Eu sou uma das poucas feministas brasileiras que vêm fazendo sistematicamente trabalho global desde meados da década de 1980. A conscientização para um mundo mais amplo é parte do histórico da minha família. Meus pais se conheceram em New York durante a Segunda Guerra Mundial. Minha mãe, norte-americana de descendência russa, viajou de navio por contra própria ao Brasil para se casar com meu pai. A minha avó materna casou-se em Ellis Island, mas dois anos depois retornou à Rússia por dois anos porque sentia falta dos campos de trigo de sua terra natal. Dois anos depois retornou aos Estados Unidos. Portanto, viajar pelo mundo é parte importante da biografia e mitologia da minha família. Mais importante ainda, porém, é o fato de que eu, como filha única, adquiri um sentido incrível de fazer parte de alguma coisa, de solidariedade e de fortaleza provenientes do movimento em prol da mulher durante muitos anos de trabalho feminista em âmbito global. Isso confirma algo que aprendi de meu pai. A amizade é uma das maiores riquezas da vida; é mais estável, mais duradoura do que a paixão ou o poder. Tenho amigos íntimos, pessoas de quem posso depender, no mundo inteiro. Isto não é insignificante num mundo de insegurança. É um privilégio maravilhoso."

Dados biográficos

Atualmente Sônia Corrêa coordena a Iniciativa de Gênero do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) e os direitos sexuais e reprodutivos para a DAWN, uma rede feminista, com sede no sul, constituída por acadêmicos e ativistas dedicados a trabalhar pela justiça econômica e de gênero e democracia. Ela é fundadora e membro da diretoria da SOS Corpo, organização feminista com sede em Recife, Brasil, que promove os direitos sexuais e reprodutivos da mulher. Sônia também faz parte da diretoria da Associação Interdisciplinar Brasileira de AIDS. Como ativista de vanguarda dos direitos da mulher em âmbito mundial, ela participou de análises de acompanhamento da Conferência Internacional de 1994 sobre População e Desenvolvimento para a Ford Foundation e para o Fundo de População das Nações Unidas no Brasil. Além disso, é membro da Comissão Nacional Brasileira sobre População e Desenvolvimento, órgão público formalmente responsável pela implementação do Programa de Ação da conferência. É autora do livro "População e Direitos Reprodutivos: Perspectivas Feministas do Sul."
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