| Pinar Ilkkaracan, Turquia |
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"A forma como eu cresci é típica das mulheres da classe média da Turquia. Meus pais me incentivaram a viajar, a aprender idiomas e tornar-me professora. Porém, no tocante à sexualidade, eles exerciam um alto nível de controle. Eles e a cultura em geral deixaram claro que os rapazes podiam fazer coisas que as meninas não podiam e que até mesmo a violência—seja física ou emocional—era aceitável para impedir que as meninas explorassem a própria sexualidade. Minha irmã e eu desenvolvemos um claro sentido de injustiças impostas às mulheres e meninas, mas foi somente quando ingressei no movimento feminista e fiz parte de grupos de conscientização que compreendi que não estávamos sozinhas, que as mulheres do mundo todo experimentavam a violência pelo simples fato de serem mulheres. Isso teve um impacto incrível sobre mim. Até hoje eu estou convencida de que o grupo de conscientização é a melhor ferramenta que o movimento feminista jamais criou. Na realidade, o treinamento que o movimento Mulheres pelos Direitos Humanos da Mulher (Women for Women’s Human Rights) oferece em toda a Turquia baseia-se nele. Quando as mulheres tomam consciência de seus direitos e têm espaço para compartilhar suas experiências, a maioria passa por uma revelação semelhante à minha. Compreender que temos o poder para pôr fim à injustiça e eliminar a violência é quase um milagre."
Dados biográficos Pinar Ilkkaracan, psicoterapeuta e pesquisadora, exerce sua profissão em Istanbul, Turquia. É também fundadora e Coordenadora do movimento Mulheres pelos Direitos Humanos da Mulher (Women for Women’s Human Rights). O grupo fez uma campanha com mais de 120 organizações de mulheres em toda a Turquia para reformar o código civil desse país. Em 2001, conseguiram obter a igualdade da mulher no casamento, e em 2004 conseguiram influenciar a reforma do código penal turco, tornando crime a violência contra a mulher. Pinar é editora do livro recém-publicado “As mulheres e a sexualidade nas sociedades mulçumanas” (Women and Sexuality in Muslim Societies), uma coleção de artigos de mulheres de todo o mundo mulçumano. Em 1998 ela foi co-autora do “Manual de Treinamento em Direitos Humanos e Alfabetização Legal (Human Rights and Legal Literacy Training Manual), que está sendo usado em centros comunitários da Turquia para aumentar os conhecimentos e a compreensão, por parte das mulheres, de seus direitos sexuais e reprodutivos. Além disso, ela continua a ser a uma das principais defensoras dos direitos humanos da mulher em âmbito internacional. |