| Esther Endalé, Camarões |
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"A Associação para a o Combate à Violência contra a Mulher (ALVF) começou como a Coletividade das Mulheres para a Renovação (Women’s Collective for Renewal). Queríamos mostrar que as mulheres do Camarões podiam ir além dos papéis tradicionais a elas impostos. Mas como a coletiva também promovia a democracia, fomos banidas pelo governo. Essa repressão repercutiu como um ataque físico, o que nos levou a recriar-nos com a ALVF. A violência é tanto política como física e não se pode separar o pensamento do sentimento—tal como não se pode separar la tête (cabeça) de le coeur (coração). Minha visão para o movimento das mulheres do Camarões é a de pararmos de separar a cabeça do coração e do corpo. Ao nos envolvermos mais no movimento feminista global, compreendemos que a sexualidade é mais essencial do que havíamos pensado.”
Dados biográficos Esther Endalé vem de uma longa linha de mulheres ativistas. Sua mãe (personagem política) e sua tia (sindicalista internacional) foram instrumentais na luta pela independência do Camarões, conquistada em 1960. Esther continua esse legado lutando pela emancipação da mulher. Uma das primeiras farmacêuticas a distribuir anticoncepcionais em seu país, ela organizou o primeiro sindicato dos farmacêuticos e é co-fundadora da Coletiva de Mulheres pela Renovação (CFR), a primeira associação feminista do Camarões. Em 1991, ela e cinco outras feministas criaram a ALVF, que proporciona educação pública, abrigo, orientação e assistência jurídica e médica a vítimas da violência em três centros regionais e que recentemente lançou um programa para adolescentes. Atualmente tesoureira da ALVF, Esther é também membro associada da Associação de Mulheres Juristas do Camarões (Association of Camerounian Female Jurists) e da Parceria Africana em Prol da Saúde e Direitos Reprodutivos de Mulheres e Meninas (AMANITARE). Em 1995, ela representou os interesses das mulheres camaronenses na Quarta Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada em Beijing. |