Patrícia Lima Entrevista
18 anos de idade
Assessora de Projetos, Grupo Curumim
Brasil

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Diplomada no ensino de segundo grau, Patrícia é membro da organização feminista Grupo Curumim Gestação e Parto desde os 14 anos de idade. Nessa organização ela é Coordenadora de Projetos do programa Cunhatã-Grupo Curumim e do Centro de Juventude do Programa Cunhatã. É ativista nos movimentos feministas e de adolescentes. Representa o Curumim no Conselho Gestor do Movimento de Adolescentes do Brasil (MAB).

Participou de eventos, entre os quais figuram o Festival da Juventude, Recife, 2006; Fórum de Direitos Humanos do Recife, 2006; Encontros Nacionais de Adolescentes promovidos pelo MAB; Curso de Teatro com o Grupo Loucas de Pedra Lilás, 2005-2007; Fóruns Sociais (de âmbito global, nacional e regional); e Conferência Estadual de Saúde, Pernambuco, 2007.

Coalizão Internacional pela Saúde das Mulheres (IWHC): Quais são os maiores desafios enfrentados por mulheres e jovens no Brasil hoje?

Patrícia Lima:
Eu acredito que pelo menos no meu bairro, em Recife, em Ipotinga, é mais a questão de pegar a pílula do dia seguinte, porque a gente é adolescente, tem que ir com a mãe, pelo menos no posto perto da minha casa... essa dificuldade de pegar os métodos contraceptivos. Nós não temos acesso e também não tem médicos para adolescentes, então essa é uma grande dificuldade. Não tem um núcleo na escola que fale sobre sexualidade, que aborde esses temas e que fale sobre os problemas que temos.  Na escola onde eu estudo, não temos apoio para criar um núcleo para discutirmos temas polêmicos como: sexualidade, direitos sexuais e direitos reprodutivos, contracepção de emergência, prevenção de DST/AIDS e outros. A diretora da escol a é evangélica e isso cria uma barreira grande entre alunos que tentam cria este núcleo, mas tem professores interessados em ajudar os alunos e alunas na prevenção da gravidez indesejada, só na hora do intervalo fazemos uma roda de diálogos que é muito legal ver a diversidade das opiniões!

IWHC: Porque o trabalho do Curumim, do IWHC, da coalition, é tão importante? Porque é importante para você trabalhar com o Curumim?

PL:
Eu também acho muito importante o coalition estar patrocinando o Curumim porque aí de uma certa forma vai estar beneficiando a gente, adolescentes e jovens que fazem parte do  programa Cunhatã, o programa Parteiras e assim, posteriormente a gente vai estar socializando tudo o que a gente aprendeu aqui no Curumim, porque eu levo para a escola, dou conferência, viro uma jovem de referência, porque na minha sala de aula a maioria dos jovens não dá opinião, nem pergunta, ninguém se coloca. E com o fortalecimento que eu tive aqui no Curumim, que me deram, eu sou uma jovem que posso chegar em qualquer canto e dar minha opinião, e dizer, e me sentir emponderada em estar falando mesmo. E em relação a minha participação de estar trabalhando no Curumim facilitou muito a minha vida. O Curumim é maravilhoso por esta dando essa oportunidade para os adolescentes que passaram tempo aqui se capacitando, recebendo oficinas, porque agora eu recebo uma ajuda de custo que me ajuda muito. Eu ainda não sou independente, porque só tenho 17 anos, mas eu já posso chegar em casa e dizer: "Olha mãe, eu já tenho um trocado para te ajudar, mãe esse mês eu vou comprar isso e aquilo." Tudo por conta dessa bolsa que eu recebo no Curumim, então assim, eu acredito que se todos os adolescentes e jovens tivessem essa oportunidade, facilitaria muito essa discussão, de estar em casa e o pai e a mãe dizerem: "Você não está fazendo nada, garoto, você ta num movimento mas não está ganhando nada." E eu recebendo uma bolsa, meu pai e minha mãe não tem como dizer isso, eu ajudo de uma certa forma em casa. Então é um conjunto de benefícios que vai se estendendo e vai ficando maior, maior, maior, e é isso.  

IWHC: O que vocês vêm como solução de futuro na questão de saúde sexual e reprodutiva para as jovens? Se vocês forem exitosas, como é que o mundo vai ser?

PL:
Eu acredito que eu vou criar os meus filhos de uma forma mais justa, igualmente se for menino ou se for menina, sem essa história de dizer que o menino pode tudo e que a menina não pode. Trazer isso para a realidade mesmo na minha vida, tanto no trabalho, porque eu pretendo futuramente ser uma enfermeira para estar ajudando, estar socializando, fazendo seminários, essas coisas assim para passar a informação com muito gosto, muita gratificação por todo esse processo que eu passei. E é isso, um mundo mais justo, com direitos iguais para homens e mulheres, e é isso.

IWHC: Você falou também mais do seu intento pessoal. Mas se tudo der certo, como é que o mundo de sonho vai ser?

PL:
Eu acredito que o mundo de sonhos seria assim, com igualdade social, com respeito as diversidades, com educação. Eu acho que o mundo igual tem que ter educação para todos e a gente não tem, infelizmente. Com educação igual para todos eu acredito que chegaremos num mundo ideal e com essa história também de ter acesso `a informação, de todo mundo ser bem informado, de ter acesso `a informação sobre métodos, sobre DST (doenças sexualmente transmissíveis) Aids, sobre direitos sexuais e reprodutivos, todo mundo tem que saber, todo mundo tem o direito de saber. E é isso, o mundo ideal é tudo sendo socializado. Obrigada.
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