| Ilca Márcia Albino da Silva Entrevista |
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21 anos de idade
Assessora de Projetos, Grupo Curumim Brasil
>>Disponível em Word e PDF
Diplomada no ensino de segundo grau, Ilca é membro da organização feminista Grupo Curumim Gestação e Parto desde os 17 anos de idade. Nessa organização ela é membro do Centro de Juventude do Programa Cunhatã - Grupo Curumim. É ativista nos movimentos feministas, de adolescentes e de afro-descendentes. Representa o Grupo Curumim no Grupo de Articulação da Juventude Negra. Participou de eventos, entre os quais figuram o Festival da Juventude, Recife, 2006; Fórum de Direitos Humanos do Recife, 2006; Curso de Teatro com o Grupo Loucas de Pedra Lilás, 2005-2007; Fóruns Sociais (de âmbito global, nacional e regional); Conferência Estadual de Políticas Públicas para Mulheres, Pernambuco, 2007; Reunião Estadual e Nacional da Juventude Negra, 2007; Conferência sobre a Igualdade de Raça (âmbitos local e estadual); Reuniões Nacionais de Adolescentes; Reunião da Juventude Feminista de Pernambuco; Décima Reunião Feminista da América Latina e do Caribe, São Paulo, 2005; Reunião Nacional de Mulheres Brasileiras, promovida pela Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB); e Reunião Nacional da Juventude Rural, Brasília, 2007. Coalizão Internacional pela Saúde das Mulheres (IWHC): Quais são os maiores desafios enfrentados por mulheres e jovens no Brasil hoje? Ilca Márcia Albino da Silva: Acho que um dos maiores problemas na minha comunidade é a gravidez, que é muito comum nas adolescentes e jovens, tanto nas escolas,quanto na própria comunidade,com as que não estudam mais. Além da infecção pelo HIV Aids,pela não negociação com os parceiros e a falta de informação e acessibilidade aos métodos contraceptivos, Paulista é o quarto município do estado com maior índice de HIV, é um índice muito alto para um município pequeno como Paulista. IWHC: Porque isso é um problema? IMAS: Pela falta de acesso a informação. Não tem informação sobre a gravidez, não tem informação sobre os métodos contraceptivos, não tem acesso `a contracepção de emergência e tudo isso leva a gravidez precoces onde elas não são responsáveis, a família muitas vezes não quer, elas são forçadas a ter aquela criança, muitas são forçadas a não ter a criança e isso é um problema. IWHC: Qual sua primeria recordacão, quando menina, de uma situacão que você foi pessoalmente afectada/prejudicada peal questão de inequalidade de género ou por falta de direitos para meninas e mulheres? IMAS: Não tenho uma recordação que tenha me prejudicado quando criança, pois na minha casa só tinham mulheres. IWHC: Como sua experiencia crescendo em sua comunidade se diferencia das outras meninas/meninos, quando você era criança e como adolescente/jovem? Houve alguma diferença nas atividades/interesses e percepção do futuro entre meninas e meninos? IMAS: Me diferencio das outras meninas e meninos pelo incentivo que dou para eles, para pensarem em suas vivencias, eles passam a ter interesse em saber mais, a conter informações, a procurar conhecer espaços que proporcionem uma nova forma de vida. IWHC: Como você começou a trabalhar com o Curumim? IMAS: Através do Projeto Mulheres Jovens e Adolescentes contribuindo para a igualdade de gênero e combate a violência apoiado pelo PACIFIC em 2006, onde fomos para 6 municípios da Zona da Mata de Pernambuco. Fiz à acessória deste projeto junto com Emanuella, outra jovem que fez parte do grupo, mas não está mais no Curumim. IWHC: Porque o trabalho do Curumim, do IWHC, da coalition, é tão importante? Porque é importante para você trabalhar com o Curumim? IMAS: O IWHC é importante porque fortalece a instituição, para a instituição fortalecer a juventude. E essa juventude fortalece outros jovens que não tiveram acesso. Então a importância é impar para as duas. A coalition fortalece o Curumim, o Curumim fortalece a gente e a gente fortalece outros jovens. Fora a questão que a Patrícia traz, que é a questão financeira. Porque ser ativista e ainda ter a ajuda de custo supera, ou melhor, facilita a nossa ação dentro da instituição, dentro do movimento feminista, de juventude, racial. Isso fortalece a gente em casa e a gente fortalece outras pessoas na rua e no movimento, eu acho que é isso. IWHC: Do que mais você se orgulha? IMAS: Poder levar informações para outras pessoas e com isso fortalece-las na tentativa que as pessoas refllitam sobre seus posicionamentos e sobre suas condições de vida para que possa haver uma mudança positiva na vida de cada pessoa. IWHC: Como você imagina seu futuro? IMAS: Com formação universitária e especialização na área em que eu trabalho que é saude, podendo me manter financeiramente r fazendo o que eu gosto. IWHC: O que vocês vêm como solução de futuro na questão de saúde sexual e reprodutiva para as jovens? Se vocês forem exitosas, como é que o mundo vai ser? IMAS: Um monte de mulher cheia de autonomia, fortalecida, sem passar por situações de violência, de violação de direitos, com o governo junto conosco fazendo ações educativas nas comunidades e mesmo que o governo não estivesse junto, que possibilitasse mais recursos para nós pudéssemos está chegando perto de mais jovens. |