| Neglicenciados E Desinformados |
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Os adolescentes de 10 a 14 anos representam 9% da população mundial e 15% da população em alguns países de renda baixa e média.3 O reconhecimento das realidades da vida das meninas e meninos adolescentes jovens – e especialmente sua necessidade de conhecer seus corpos e seus direitos e responsabilidades sexuais – é essencial para a construção dos fundamentos de uma passagem segura pela adolescência a caminho da vida adulta. Entretanto, os comentários sobre a saúde sexual e reprodutiva e os comportamentos dos adolescentes ou jovens adultos muitas vezes se referem às idades de 15-19 ou 15-24 e os programas e políticas geralmente se destinam a esses grupos mais velhos. Este resumo informativo focado nos aspectos negligenciados e não informados da vida sexual e reprodutiva dos jovens adolescentes tem como objetivo informar a respeito da formulação de políticas e da programação para essa importante nova geração. POR QUE ENFOCAR OS ADOLESCENTES JOVENS? O início da adolescência marca a eclosão da puberdade com todas as mudanças psicológicas e emocionais que esse período envolve, tais como o rápido crescimento físico, o surgimento da libido e dos interesses sexuais e o amadurecimento dos órgãos reprodutivos. É uma época de intensa socialização em atitudes e comportamentos característicos de cada gênero. Meninos e meninas dessa faixa etária têm uma elevada capacidade para o entusiasmo, energia e idealismo e estão adquirindo maior competência social e intelectual. Ao mesmo tempo, sua saúde sexual e reprodutiva enfrenta muitos riscos, cuja natureza, causas e conseqüências estão muito relacionadas com o gênero.
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INICIO DAS ATIVIDADES SEXUAIS São poucas as evidências do que os jovens adolescentes sabem, sentem, acreditam e fazem (ou fizeram a eles) com relação aos seus corpos e o surgimento de seus interesses sexuais. A pesquisa sobre as atitudes e comportamentos sexuais é muito suscetível, e até mesmo tabu, em alguns países e, muitas vezes, os país, professores, formuladores de políticas, prestadores de cuidados de saúde e outros guardiães discordam dessas investigações. Contudo, surgiram algumas conclusões interessantes.
![]() O QUE OS ADOLESCENTES JOVENS SABEM? A maioria das pesquisas que investigam o conhecimento, as atitudes e práticas sexuais e reprodutivas de jovens adolescentes (geralmente entre os 12 e os 14 anos) em comparação com os adolescentes mais velhos, revela uma ampla falta de informação, de aptidões e preparo cognitivo para a relação sexual entre os grupos mais jovens.15 Embora os adolescentes mais velhos também necessitem de mais informações sobre sua saúde e direitos sexuais e reprodutivos, os adolescentes mais jovens têm mais probabilidade de terem:
RESPOSTAS ÀS POLÍTICAS E AOS PROGRAMAS Acordos internacionais afirmam que todos os adolescentes – inclusive os jovens – têm direito a receber informações, educação e serviços de saúde sexual e reprodutiva apropriados para sua idade que lhes permitam lidar de forma positiva e responsável com sua sexualidade.17 Tanto a educação formal quanto a informal deve promover relacionamentos baseados na igualdade de gênero e respeito mútuo, bem como permitir que os adolescentes se protejam contra a gravidez precoce e indesejada, DSTs/HIV e abuso e violência sexuais. Segundo tais acordos, o acesso dos adolescentes às informações e serviços não poderá ser restringido por barreiras discriminatórias de ordem legal, normativa ou social com base na idade ou estado civil, ou por atitudes negativas dos prestadores de cuidados de saúde. Todos os programas devem preservar os direitos dos adolescentes à privacidade, confidencialidade, respeito e consentimento informado. Educação sobre a sexualidade: Uma educação sobre a sexualidade eficaz, abrangente e contínua, baseada nos princípios de direitos humanos e igualdade de gênero e que responda às perguntas dos jovens adolescentes é necessária com urgência nas escolas e outros locais, inclusive programas fora da escola.Outros modos de comunicação e aprendizado incluem a mídia impressa (especialmente revistas que fazem sucesso entre os adolescentes); programas de rádio e televisão voltados para adolescentes; linhas diretas para perguntas e respostas pelo telefone e
AGRADECIMENTOS As informações apresentadas aqui foram compiladas e analisadas por Ruth Dixon-Mueller, que também é autora deste relatório. Adrienne Germain, Beth Fredrick, Kate Bourne, Jennifer Kidwell e Cami Hilsendager auxiliaram nesta preparação. Agradecemos aos revisores: Ann E. Biddlecom, the Guttmacher Institute, Estados Unidos; Shehu Idris, International Centre for Reproductive Health and Sexual Rights (Centro Internacional para a Saúde Reprodutiva e Direitos Sexuais) (INCRESE), Nigéria; Yara Jarallah, membro da Youth Coalition for Sexual and Reproductive Rights (Coalizão da juventude para os direitos sexuais e reprodutivos) (YCSRR), Palestina; Shireen Jejeebhoy, Conselho da População, Nova Déli; Laura Villa Torres, Youth Coalition for Sexual and Reproductive Rights (YCSRR), México. REFERÊNCIAS 1. Erica Chong, Kelly Hallman e Martha Brady, Investing When It Counts.Generating the Evidence Base for Policies and Programmes for Very Young Adolescents, Guide and Tool Kit (Nova York: Population Council, 2006). 2. Organização Panamericana de Saúde (OPAS). Youth,Choices and Change (Washington, DC: OPAS, 2005). 3. Population Council, A summary of selected DHS data on very young adolescents, http://www.popcouncil.org/gfd/gfdcountries.html (inclui tabelas individualizadas dos países). 4. Anne-Simone Parent et al., “The timing of normal puberty and the age limits of sexual precocity,” Endocrine Review 24, no. 5 (2003): 668-693; Cynthia B. Lloyd, ed., Growing Up Global.The Changing Transitions to Adulthood in Developing Countries (Washington DC: National Academies Press, 2005). 5. J. M. Tanner. Growth at Adolescent, 2a ed. (Oxford: Blackwell Scientific Publications, 1962). 6. M. Elizabeth Duncan et al. “First coitus before menarche and risk of sexually transmitted disease,” The Lancet 335 (10 de fev de 1990): 338-340. 7. Cynthia B. Lloyd, ed, Growing Up Global.The Changing Transitions to Adulthood in Developing Countries (Washington DC: National Academies Press, 2005). 8. Consultar notas 2 e 5, acima. 9. J. Richard Udry, “Biological limits of gender construction,” American Sociological Review 65, no. 3 (2000): 443-457. 10. Elizabeth Eggleston, Jean Jackson e Karen Hardee,“Sexual attitudes and behavior among young adolescents in Jamaica,” International Family Planning Perspectives 25, no 2 (1999): 78-84; Rajani e Mustafa Kudrati, “The varieties of sexual experience of the street children of Mwanza, Tanzania,” em Learning About Sexuality.A Practical Beginning, ed. Sondra Zeidenstein e Kirsten Moore (New York: The Population Council, 1996); Yvonne Szasz, “Masculine identity and the meanings of sexuality: A review of research in Mexico,” Reproductive Health Matters 6, no 12 (1998): 97-104; Lisa Remez, “Oral sex among adolescents: Is it sex or is it abstinence?” Family Planning Perspectives 32, no 6 (2000): Special Report. 11. Shireen J. Jejeebhoy, Iqbal Shah e Shayan Thapa, Sex Without Consent.Young People in Developing Countries (London: Zed Books, 2005). 12. Ibid. 13. Macro International. Pesquisas Demográficas e de Saúde, “Statcompiler.” http://www.measuredhs.com ; Shusheela Singh, Deirdre Wulf, Renee Samara e Yvette P. Cuca, “Gender differences in the timing of first intercourse: Dados de 14 países,” International Family Planning Perspectives 26, no. 1 (2000): 21-28 & 43. 14. Eggleston, Jackson e Hardee,“Sexual attitudes and behavior,” 78-84; Fatima Juárez e Teresa Castro Martin, “Partnership dynamics and sexual health risks among male adolescents in the favelas of Recife, Brazil,” International Family Planning Perspectives 32, no. 2 (2006): 62-70; Deborah A. Cohen et al., “Where and when do youths have sex?” [Southern United States] Pediatrics 110, no. 6 (2002). 15. Ver nota 13, acima. Eggleston, Jackson e Hardee,“Sexual attitudes and behavior,” 78-84; Juárez e Castro Martin, “Partnership dynamics and sexual health risks among male adolescents,” 62-70; Ann K. Blanc e Ann A. Way, “Sexual behavior and contraceptive knowledge and use among adolescents in developing countries,” Studies in Family Planning 29, no. 2 (1998): 106-116; Alan Guttmacher Institute (AGI), Adolescent Sexual and Reproductive Health in Burkina Faso.Results from the 2004 National Survey of Adolescents, Occasional Report no 21 (Nova York: AGI, 2006); Ghana (no 22), Malawi (no 24) e Uganda (no 25). 16. Sabina Faiz Rashid, “Communicating with rural adolescents about sex education: experiences from BRAC, Bangladesh,” em Towards Adulthood.Exploring the Sexual and Reproductive Health of Adolescents in South Asia, ed. Sarah Bott, Shireen J. Jejeebhoy, Iqbal Shah e Chander Puri (Genebra: Organização Mundial de Saúde 2003). 17. Parágrafos sobre adolescência no Plano de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, Cairo, 1994 e análise de cinco anos da Assembléia Geral das Nações Unidas; e a Plataforma para a Ação da Quarta Conferência Mundial sobre Mulheres, Beijing, 1995 e a análise de cinco anos da Assembléia Geral das Nações Unidas. 18. Deborah Rogow e Nicole Haberland, “Sexuality and relationships education: Toward a social studies approach,” Sex Education 5, nº 4 (2005): 333-344; Sexuality Information and Education Council of the United States (SIECUS), Guidelines for Comprehensive Sexuality Education, Kindergarten through 12th Grade, 3a ed. (Nova York: SIECUS, 2004). 19. World Bank, World Development Report 2007. Development and the Next Generation (Washington, DC: Banco Mundial, 2007). 20. Ver nota 6, acima. 21. Andrea Irvin, Positively Informed.Lesson Plans and Guidance for Sexuality Educators and Advocates (Nova York: International Women’s Health Coalition, 2004); Grupo de Tarefa Inter-agências sobre Jovens; David A. Ross, Bruce Dick e Jane Ferguson, eds., Preventing HIV/AIDS in Young People.A Systematic Review of the Evidence from Developing Countries (Genebra: Organização Mundial de Saúde, 2006); Douglas Kirby, B. A. Laris e Lori Rolleri, Sex and HIV Education Programs for Youth.Their Impact and Important Characteristics (Washington, DC: Family Health International and YouthNet, 2006). 22. Karl L.Dehne e Gabriele Riedner, Sexually Transmitted Infections among Adolescents.The Need for Adequate Health Services (Genebra: Organização Mundial de Saúde 2005). 23. Douglas Kirby, National Campaign to Prevent Teen Pregnancy, Emerging Answers.Research Findings on Programs to Reduce Teen Pregnancy, 2001, http://www.teenpregnancy.org . 24. Rebecca Cook e Bernard M. Dickens, “Recognizing adolescents’ ‘evolving capacities’ to exercise choice in reproductive healthcare,” International Journal of Gynecology & Obstetrics 70, nº 1 (2000): 13-21. 25. Grupo de Tarefa Inter-agências sobre Jovens da UNAIDS; David A. Ross, Bruce Dick e Jane Ferguson, eds., Preventing HIV/AIDS in Young People.A Systematic Review of the Evidence from Developing Countries.(Genebra: Organização Mundial de Saúde, 2006); Sue Alford, Nicole Cheetham, and Debra Hauser, Science andSuccess in Developing Countries.Holistic Programs that Work to Prevent Teen Pregnancy, HIV & Sexually Transmitted Infections (Washington, DC: Advocates for Youth, 2005); Judith Bruce e Amy Joyce, eds., The Girls Left Behind.The Failed Reach of Current Schooling, Child Health, Youth-Serving and Livelihoods Programs for Girls Living in the Path of HIV (Nova York: The Population Council, 2006). |

