Margarita Diaz Print E-mail

margarita_diaz_-statementReprolatina - Soluções Inovadoras em Saúde Reprodutiva, Brasil

Beijing foi um marco que determinou não só as ações de muitos paises e movimentos, mas a vida de muitas mulheres como a minha. Tive o privilegio de participar do Foro das ONG e compartilhar as minhas experiências com muitas outras mulheres do mundo inteiro. Esses dias estão e ficarão registrados na minha memória e no meu coração para sempre! Lembro-me de cada momento vivido e que marcou demais a minha vida, a troca de experiências e afetos com muitas mulheres que nunca tinha visto antes e o re-encontro com companheiras feministas a quem admiro muito pela sua luta. Foram muitos momentos compartilhados em que conversamos, rimos, choramos, nos indignamos com as situações que eram vividas pelas mulheres em muitos países, participei de apresentações de experiências, de peças de teatro, de vídeos, passeatas, momentos de troca de idéias e de descanso nas tendas. Algo que me marcou muito foi um vídeo com as mutilações genitais, acho que senti até a dor física dessas jovens.

Éramos muitas mulheres de diversas origens, falando muitas línguas diferentes, mas estávamos comunicadas pela nossa história, pela nossa dor, pela nossa força, pela nossa luta, pela solidariedade, pela vontade de unidas sair da opressão e mudar esse mundo injusto e desigual. Há muitos anos eu já vinha trabalhando com mulheres para que a partir do conhecimento do seu próprio corpo e da sua sexualidade pudessem aprender e se permitir sentir prazer, melhorar a sua auto-estima, aprender a tomar decisões próprias, e mudar as relações de gênero. Mas tudo o que eu tinha feito me pareceu pouco comparado com o que ainda tínhamos que fazer e assumi para mim mesma o compromisso de ser uma ativista pelos direitos sexuais e pelos direitos reprodutivos. Já se passaram quase 10 anos e olho para trás o caminho e vejo quanto conseguimos avançar, mas também olho para frente e vejo quanto ainda precisamos caminhar e quantas resistências e forças contrarias precisamos vencer. Lembrar dos momentos vividos em Beijing, é muito bom para manter viva a indignação e me estimulam ainda mais a continuar essa luta pelos direitos sexuais e pelos direitos reprodutivos das mulheres. Estou e continuarei fazendo a minha parte...
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