"O nosso trabalho é de formiguinha mesmo, é formar esse grupo que a gente está formando, e eles formarem outros e os outros formarem outros, para quem sabe daqui a 10 ou 20 anos a gente ter uma sociedade mais igual."
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Cláudia Vasconcelos, de 20 anos de idade, trabalha como educadora de colegas com o Grupo Curumim, organização feminista sediada na cidade de Recife, no Nordeste do Brasil. Nascida e criada em Recife, Cláudia começou a trabalhar com o Grupo Curumim com 13 anos de idade quando participava do programa da organização para adolescentes locais, estruturado para criar auto-estima, proporcionar informação vital sobre saúde sexual e reprodutiva e oferecer oportunidades para os jovens participarem da formulação de políticas de saúde locais.
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Coalizão Internacional pela Saúde das Mulheres (IWHC): Qual sua primeria recordacão, quando menina, de uma situacão que você foi pessoalmente afectada/prejudicada peal questão de inequalidade de género ou por falta de direitos para meninas e mulheres?
Cláudia Vasconcelos: Eu nunca tive um momento feliz na minha infância - todas as minhas memórias são de violência. Eu cresci num ambiente onde minha mãe apanhava do meu pai.
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IWHC: Quais são os maiores desafios enfrentados por mulheres e jovens no Brasil hoje?
CV: Problemas têm muitos... eu vou puxar também para esse lado do acesso, porque quando a gente trabalha com jovens, pessoas da nossa idade, elas relatam muito isso... que não vão no posto porque a vizinha trabalha lá, vai contar para a mãe, que não vão pegar camisinha porque a mulher que trabalha lá vai perguntar: "quantos anos você tem? Porque é que você quer uma camisinha?", então elas relatam muito isso.
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IWHC: Porque o trabalho do Curumim, do IWHC, da coalition, é tão importante? Porque é importante para você trabalhar com o Curumim?
CV: A coalition possibilita que o Curumim faça essas ações que eu vou dizer em seguida, que eu acho importantes. E o Curumim porque traz essas questões para que os jovens reflitam, questões que são importantes, desde muito cedo.
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IWHC: A outra pergunta era a importância de trabalhar no Curumim?
CV: A importância de trabalhar no Curimim para mim é poder... não é devolver, mas poder fazer o que o Curumim fez comigo, que é fortalecer outros jovens e passar o conhecimento que o Sula me passou, o que a Claudinha - que era outra educadora, que era enfermeira, médica - me passou, poder passar isso para outros jovens que estão chegando.
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IWHC: O que vocês vêm como solução de futuro na questão de saúde sexual e reprodutiva para as jovens? Se vocês forem exitosas, como é que o mundo vai ser?
CV: Primeiro eu tenho muita expectativa no futuro, expectativa para mim... Expectativa Professional, pessoal. Primeiro se eu tiver filho eu também vou criar igual tanto menino como menina e vou tentar diminuir essas diferenças de gênero, pelo menos dentro da minha própria casa. Aí eu quero fazer jornalismo para contribuir com o movimento, para proporcionar menos violação dos direitos nos meios de comunicação. Eu tenho para mim que eu nunca vou deixar de ser militante, só quando eu morrer.
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IWHC: Cláudia, esse é o seu intento pessoal. Mas se tudo der certo, como é que o mundo vai ser?
CV: Ah, o mundo vai ser maravilhoso, porque não vai ter violação de direitos, as pessoas vão ser respeitadas independentemente da cor delas, da sua orientação sexual, do que elas escolham para as suas vidas. Então vai ser uma sociedade que vai ter menos violência, porque eu acredito que a violência vem dessas desigualdades. Uma população mais educada, que sabe dos seus direitos e exige da sociedade, que exige dos órgãos responsáveis que eles cumpram a sua função, eles vão receber educação de qualidade, saúde de qualidade.
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