"A primeira vez em que ouvi falar de HIV, eu era uma estudante de 15 anos. Uma profissional de saúde fez uma palestra para minha turma sobre sexo e AIDS. 'Não transem com vários parceiros', disse ela, 'ou vocês contrairão HIV'. Saí da sala pensando: "Isso nunca acontecerá comigo. Não sou uma dessas pessoas e não tenho vários parceiros."
Em 2001, Sophie Dilmitis fundou a Choose Life, onde fez apresentações abrangentes sobre HIV/AIDS para mais de 7500 alunos de 30 escolas durante cinco anos. Baseada em Zimbábue, ela facilitou apresentações de conscientização sobre o HIV, vida soropositiva e workshops para os setores privado, comunitário e governamental, além de auxiliar jovens soropositivos a formarem suas próprias organizações e programas de prevenção para jovens.
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Jennifer Kidwell, IWHC: Como engajou-se na luta pelos direitos das mulheres e dos jovens?
Sophie Dilmitis: Quando, em 1999, recebi o diagnóstico de HIV-positivo foi como receber uma sentença de morte. Diante da total falta de informação e de conhecimento disponível eu quis desistir de tudo. Foi somente com o forte apoio da família que consegui reunir informações sobre o HIV e a AIDS. Fiz contato com especialistas do mundo inteiro, li todas as publicações disponíveis e conversei com todas as pessoas HIV-positivas com quem pude falar.
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JK: O que a inspirou a lançar o Choose Life?
SD: Quando vi o surpreendente hiato entre o que os jovens, especialmente as mulheres jovens, precisavam saber e o que estavam recebendo, fiquei ainda mais motivada a fornecer-lhes ferramentas que pudessem acessar e utilizar para proteger-se da infecção.
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JK: De que forma considera que o trabalho do Choose Life tenha mudado as vidas dos jovens, quer em casos específicos ou em geral?
SD: O Choose Life reforçou uma mudança positiva, instando os jovens a assumirem a responsabilidade por suas ações e a viverem vidas saudáveis e afirmativas, independentemente de sua situação com relação ao HIV. Todas as informações eram realistas, voltadas para os jovens e criadas para jovens infectados/afetados por jovens nas mesmas condições.
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JK: Quais são, em sua opinião, os grandes desafios enfrentados pelos jovens no Zimbábue atualmente? Quais são as maiores oportunidades?
SD: Não estão cuidando nem protegendo nossa geração futura. Os jovens não sabem quais são seus direitos sexuais e reprodutivos. Estão sujeitos a abuso e são vulneráveis.
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JK: Cite algumas das mais importantes questões, em sua opinião, a serem tratadas para promover e proteger a saúde e os direitos dos jovens – especialmente das meninas.
SD: É preciso fazer mudanças em resposta a uma necessidade real e como resultado de um diálogo social que inclua as vozes das mulheres jovens. Precisamos desenhar programas e políticas que dêem voz às jovens e se isso incomoda o status quo, tudo bem. O custo de não fazê-lo será muito, muito maior.
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JK: De que modo ativistas, formuladores de políticas, diferentes grupos podem trabalhar juntos para levar os jovens para a mesa de discussões?
SD: Meu conselho é que os jovens (e isso não é especifico para os jovens) precisam receber educação e informações sobre os processos de formulação de políticas para que sua capacidade seja construída, para que não se sintam intimidados por não conhecerem o jargão que é utilizado e, portanto, possam participar ativamente das tomadas de decisão e formulação de políticas.
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JK: Quais são seus sonhos para o futuro? Pode descrever sua visão de um mundo ideal, ou melhor?
SD: Eu gostaria de viver em um mundo onde as pessoas que tradicionalmente são marginalizadas e silenciadas tenham voz, sejam ouvidas e levadas a sério. Gostaria de ver promessas serem cumpridas.
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JK: Como fez seu primeiro contato com a IWHC?
SD: Em 2003, a Youth Coalition (Coalizão da juventude - YC), em parceria com a Youth Against AIDS Network (Rede Juventude contra a AIDS - YAAN), facilitou um workshop de defesa da saúde e dos direitos sexuais e reprodutivos em Lusaka, Zâmbia. Em prosseguimento àquela reunião, um grupo de 12 pessoas de toda a África reuniu-se no Senegal para desenhar a estratégia sobre o desenvolvimento de uma rede de defesa. Ao mesmo tempo em que desenvolvíamos e lançávamos essa rede, comparecemos também à Comissão Econômica para a África (CEA), realizada simultaneamente naquele país. Foi lá que conheci Zonny Woods [Consultora Sênior de Política Internacional da IWHC]...
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