| Fátima Oliveira, Brasil |
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"Antes do retorno do Brasil à democracia, as mulheres viviam sem liberdade política, sem expressão. Agora temos a constituição mais avançada do mundo no tocante aos direitos da mulher. Nossa luta atual é assegurar que a igualdade sob a lei realmente se reflita em nossa vida, especialmente para a mulher negra. O Brasil tem a maior população negra fora da África; metade das mulheres brasileiras são negras. Segundo as pesquisas, temos a maior incidência de doenças, tais como a anemia de células falciformes, fibróides uterinas, hipertensão e diabetes, e essas doenças ocorrem de forma diferente durante a gravidez de uma mulher negra. Também temos muito menos acesso aos cuidados pré-natais e a anticoncepcionais do que as mulheres brancas. Não há mais dúvida de quem morre em conseqüência da causa número um da mortalidade materna no Brasil, a saber, a hipertensão não-tratada: nós, as mulheres negras. Creio que ser a Diretora da Rede Feminista de Saúde [Rede Feminista Brasileira de Saúde e Direitos Reprodutivos] logo depois do seu décimo aniversário mostra que as feministas já reconhecem a legitimidade da luta das mulheres negras."
Dados biográficos A primeira mulher negra a dirigir uma organização feminista no Brasil, Fátima Oliveira é atualmente Diretora da Rede Feminista de Saúde (Rede Feminista Brasileira de Saúde e Direitos Reprodutivos), uma coalizão politicamente influente de 182 grupos ativistas, provedores de cuidados da saúde, organizações de pesquisa e organizações não-governamentais que abrangem 20 estados brasileiros. Médica, formada em bioética e pioneira em saúde da mulher afro-brasileira, ela uniu-se a outras organizações para publicar o primeiro livro sobre este assunto, intitulado "Workshops, Mulheres Negras e Saúde”, durante seu mandato como assessora especial da Rede Feminista de Saúde em questões de mulheres afro-brasileiras. Ela é também autora de vários livros sobre gênero, genética e tecnologia e foi membro da Comissão Nacional do Ministério da Saúde para a formulação de novas diretrizes nacionais sobre pesquisas em 1997. Como única mulher afro-brasileira nessa Comissão, assegurou-se de que todas as pesquisas médicas subseqüentes incluíssem negros e negras. |